No More Heroes 2: Desperate Struggle
Postado por Comedor de Samus em Feb 1, 2010 12:54
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No More Heroes, jogo de ação, lucrativo e bem recebido pelos gamers. Até aí tudo bem. Mas quando se revela o responsável pela criação, um paradoxo é criado: quem imaginaria Suda 51 com um sucesso de critica e comercial? Ele ficou tão feliz que ganhou até festa no Japão, e, por cima da carne seca, mais do que preparado para sua primeira seqüência.
 
Atenção! O review abaixo contém leve spoilers do primeiro jogo e alguns detalhes do segundo. Porém, não possui spoilers da nova história.
 
 
Desperate Struggle se passa três anos após Travis ter conquistado (e abandonado) a primeira posição na lista de assassinos da cidade de Santa Destroy. Agora ele está de volta em busca de revanche. Afinal de contas, não se pode tirar a vida dos outros e esperar que os próximos a você estejam em perfeita segurança... então chegou a vez de Travis sentir na pele o que é perder um ente querido. Espere por algumas surpresas e fortes revelações neste segundo capítulo da série.
 
O game possui diversas batalhas divertidas com disputas ao ranking nacional, muito mais do que no original, mas há um porém: quase nenhuma delas se equipara às do primeiro episódio. Parte disso por falta de características únicas durante o combate, ou então por simplesmente não sentir empatia pelo oponente, culpa da própria produtora que na seqüência optou por não revelar muito dos assassinos, apresentando apenas uma conversinha sem muito significado e que comece o duelo. Este é um exemplo perfeito de que quantidade não significa qualidade.
 
 
Alguns personagens (amigos e inimigos) retornaram ao game, como Henry e Shinobu, que a partir de certa parte do jogo se tornam jogáveis por um e dois episódios extras respectivamente, que são ligados à história principal. Há particularidades na forma com que se controla estes dois novos heróis, o irmão Henry é um pouco semelhante a Travis, mas ele pode atacar de longe com bolas de energia e ainda se impulsionar na direção do inimigo. Já a asiática Shinobu consegue pular e atacar no ar. Com a assassina existe inclusive alguns elementos plataforma que, se bem trabalhados, no futuro poderiam aparecer na aventura com Travis, pois através dessa pequena demonstração já se pode notar como um simples botão de pulo poderia trazer mais diversidade e quebrar um pouco o ritmo de bater, bater e bater mais um pouco.
 
No prato principal, pouca coisa mudou, Travis continua respondendo ao apertar de botões para ataques simples e movimentos do Wiimote para especiais e finalizações. Tudo com muita violência e sangue espirrando por todos os lados, é claro. O protagonista volta a usar espadas de laser vendidas pela cientista Naomi, cada uma com características únicas que irão alterar o estilo de luta e até influenciar no sucesso das batalhas. Como novidade na área de armamento, existe a possibilidade de equipar duas espadas. Com a Dual Katana em mãos, o combate fica ainda mais rápido. E não pára por aí: outra boa adição é a possibilidade de trocar as espadas em qualquer momento da jogatina. Retraídas, o suporte de cada arma branca fica pendurada no cinto do Travis só esperando a oportunidade de se tornarem um instrumento de morte.
 
 
Agora partindo para a parte de exploração, bem... não há exploração! O mapa da cidade que fora criticado no primeiro game não existe mais. Em Desperate Struggle, o jogador vê a cidade a partir de uma vista por cima e, através de um menu, escolhe o local que deseja ir. Exatamente, nada mais de subir na motocicleta e atravessar as ruas de Santa Destroy. Aquele pulinho simpático na entrada do estádio de futebol? Já era. Cavar buracos de dinheiro? Não mais. Revirar latas de lixo em busca de roupas? Ri.
 
Como no primeiro game, o mapa das missões é bem linear, sem muitas escolhas de caminhos, nem mesmo o básico que, seria apertar botões em pontos diferentes do mapa, existe. Desperate Struggle tornou-se um game de ação interrupta sem nada para explorar, não há mais a pausa e equilíbrio de antes. Muitos reclamaram do mapa e deu no que deu, chiaram do valor que a Sylvia cobrava para inscrições, e também já foram dando cabo nos caixas eletrônicos. Seu único objetivo agora é matar.
 
 
E falando em dinheiro, outra importante parte do game sofreu drásticas alterações, os trabalhos antes em 3D mudaram para o 2D com clima de geração 8bits. São oito trabalhos (e alguns extras) sendo um ou outro inspirado na versão 3D, como a famosa tarefa de coletar cocos. No geral são bem divertidos, uns mais que os outros, mas todos jogáveis, carismáticos e diferentes. O primeiro calhou de ser o meu preferido: nele, Travis, em uma câmera criada por The Legend of Zelda, deve ir sugando insetos para limpar casas e esgotos. À disposição existe o inseticida e peças para aumentar a potência do aspirador. Cada mini-game conta com quatro fases e sua recompensa vai de acordo com o tempo usado e desempenho. O bônus de perfeição, por exemplo, só vem se o jogador não perder nenhuma vida.
 
Outro meio de engordar a carteira são as missões de revanche, semelhantes as de desafios que vimos no primeiro onde se deve eliminar todos os capangas no limite de tempo, ou então ir atrás do inimigo alvo. A diferença básica é que em No More Heroes o jogador podia visitar a missão quantas vezes quisesse, já em Desperate Struggle uma vez que terminada, ela some do mapa...
 
... Ai, ai.
 
 
E pra que tanto dinheiro se não é mais preciso pagar por inscrições? Bem, ainda existem as espadas de Naomi, a academia gay para aumentar sua energia e força, e, claro, a Area 51, loja de roupas mais punk de Santa Destroy. Jaquetas, camisas, calças, óculos, cintos, sapatos e tudo mais estão à venda e agora mais bonitinhos do que nunca, graças a detalhes e modelos diferentes. Se sua preferência for a jaqueta de gola ela estará lá, assim como aquela bem coladinha, até calças com pochetes tem.
 
Dentro do seu apartamento, que agora é livre para transitar de um lado para o outro, há mais alguns extras interessantes como a conhecida gatinha Jeanne que ficou gorda e precisa se exercitar para voltar à forma, a televisão com o anime e jogo das heroínas Bizarre Jelly, e, por fim, a mobília que vai sendo adicionada conforme é encontrada durante as missões.
 
Depois que finalizar a aventura (em qualquer um dos três níveis de dificuldade) um extra chamado Death Match é liberado. Nele, o jogador seleciona qual assassino quer combater sob o relógio que registra o menor tempo de luta.
 
 
Teve quem reclamou de quedas de frame-rate no primeiro, coisa que só presenciei na missão de cem inimigos, e o mesmo posso dizer aqui. Alguns voltaram a reclamar da instabilidade de quadros por segundo, mas eu não vi nada disso, a única queda que presenciei é a que acontece propositalmente durante as finalizações com o Wiimote.
 
A parte visual do game é outro aspecto que melhorou bastante. Embora ainda tenha partes feias (serrilhados e texturas fracas), há movimentação de cabelos, roupas, acessórios e tudo mais, o que é bom. As animações feitas com captura de movimentos ficaram ótimas, com direito a convincentes interações dos personagens entre si, e também objetos. Em Desperate Struggle tem até mesas, bancos, vasos e janelas prontos para serem destruídos. Em um momento de fuga no segundo andar de um salão, pulei através de uma vidraça com a Shinobu e, quando cheguei ao chão, os cacos de vidro me acompanharam caindo sobre a personagem.
 
E se o assunto for sonoro, No Morre Heroes volta a se destacar, minha benção aos atores que retornaram a seqüência com grande profissionalismo e qualidade na dublagem de todas as falas, sem exceções. O sotaque francês da Sylvia dá mais do que vida a personagem. Os diálogos desaforados do jogo dão um tapa na cara de Madworld que usa palavrões somente por usar. No More Heroes não é só “bitch” e “motherfucker” sem sentido, cada conversa tem carisma e significado, além de, é claro, de serem engraçadas pra caramba, me fazendo até até chorar de rir (e outra de tristeza...).
 
As músicas originais e várias cantadas (incluindo a música-tema) também não ficam para trás, dá pra cantarolar tranquilamente todas delas, eu que não sou chegado muito no estilo fui pra dentro da batida punk.
 
 
É dito que geralmente as seqüências não conseguem bater a versão original, e, no caso de No More Heroes, a teoria tinha tudo pra cair por terra. Mas não aconteceu, pois faltou o time encontrar o equilíbrio da exploração e carisma do primeiro com a qualidade e quantidade do segundo.
 
A história novamente deixa espaço para uma nova continuação (e nesse aspecto, que linda vai ser), mas, segundo declarações, esta sequência deve aparecer somente na próxima geração. Vamos esperar para ver se, no terceiro episódio, a saga de Suda (e Travis também) chega ao ponto de “clássica”. Mas por hora, Desperate Struggle já lhe garante a conquista de primeira seqüência e melhor do que isso, um jogo com sua marca que todos poderão jogar sem medo de serem felizes.