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RESIDENT EVIL 5![]() Postado por [K] em Aug 12, 2009 19:58 (Aug 12, 2009 19:58) |
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Resident Evil é a franquia de maior sucesso comercial da Capcom. Com vendas totais acima de 40 milhões, a série ultrapassou facilmente Mega Man e Street Fighter, mesmo tendo menos tempo de estrada rodada. Não é à toa, então, que, ao lançar um título da linha principal, a expectativa seja tão alta.
O quinto episódio traz ao front novamente Chris Redfield, protagonista da aventura original e peça importante em Code: Veronica. A última vez em que vimos nosso herói, ele estava na Rússia, ao lado de Jill Valentine, em Resident Evil: Umbrella Chronicles para Wii. Dessa vez, o ano é 2008 – uma década após os incidentes em Racoon City – e Chris atende a um chamado da BSAA, grupo antiterrorismo biológico para o qual trabalha, para investigar denúncias de experimentos na área de Kijuju, na África.
![]() Mais do que a trama por trás de RE5, o jogo possui uma ingrata missão de suceder um clássico moderno – Resident Evil 4, o famoso “exclusivo” do GameCube. Seu antecessor foi um dos primeiros esforços das equipes orientais na ocidentalização de seus projetos. Ainda assim, manteve alguns aspectos mais burocráticos do game design japonês, como o “parar para atirar”, que, no fundo, aumenta a tensão. RE5, então, mantém esses fundamentos bem sucedidos do quarto episódio, mas, ao mesmo tempo, busca incorporar alguns avanços promovidos pelos times ocidentais – mais marcadamente a Epic em Gears of War – em termos de mira, controle e cooperação. Nesse diapasão, a questão mais importante se coloca: o número 5 da franquia é um “RE4 HD”, um “Gears wannabe” ou o melhor jogo de ação de todos os tempos?
O primeiro ponto a ser considerado é o enredo. Os fãs de Resident Evil compram um novo episódio sempre pensando na evolução e no destrinchar da história. RE5 traz novos personagens, como Excella Gionne e Ricardo Irving, e alguns familiares, como Albert Wesker. A base da história remonta o “Las Plagas” de Resident Evil 4, com Wesker avançando nas pesquisas do espécime e utilizando-o na população de Kijuju. Nesse sentido, a motivação grandiloqüente de Wesker, soltar um míssil que iria infectar toda a população mundial, e suas habilidades sobre-humanas são risíveis. Elas abandonam o tom sombrio e (pseudo) científico da série que, apesar de relativamente ter sido deixado de lado em RE4, não descambava para a fantasia infantil, ingênua e clichéd.
Se para os fãs a trama é difícil de engolir, um jogador leigo em relação à Resident Evil provavelmente encontrará ainda mais motivos para rir – e não ter medo ou se sentir imerso, a proposta da série desde sempre. Em comparação a outros blockbusters, como Metal Gear Solid 4 e Uncharted, personagens, diálogos e construção da história são todos menos coerentes, carismáticos e envolventes.
![]() Graficamente, o jogo está acima da média, mas, em quase todos os aspectos, possui concorrentes que o superam. Na parte artística, é uma versão HD de Resident Evil 4. Em alguns momentos, a impressão é de desleixo por parte dos produtores. A repetição de design de alguns objetos e, inclusive, da animação de personagens são constrangedores para os jogadores mais atentos, mas nem tanto para quem for curtir o visual geral, esse sim, bastante belo. As texturas usualmente se apresentam em alta resolução. Todavia, notam-se pontualmente texturas mal trabalhadas e também uma simples geometria com aquele flagrante “papel de parede” no fundo da fase para representar o horizonte.
Outro desapontamento fica por conta da utilização da luz. Em um jogo de horror, como Silent Hill e, quem diria, Resident Evil, a engine costuma focar bastante no uso da luz e da sombra para aumentar o suspense, a tensão e, consequentemente, a imersão. Silent Hill: Homecoming, com todos os seus defeitos, utiliza sombras e luz de forma muito mais realista e inteligente que RE5. Vale lembrar, ainda, que os produtores do jogo prometeram a dificuldade natural que é, para o olho humano, enxergar em transições rápidas de lugares muito claros para ambientes escuros. Isso não aconteceu e a promessa não cumprida deixa um gosto amargo.
Em termos de jogabilidade, RE5 segue com os fundamentos da jogabilidade do antecessor, adicionando algumas facilidades e o modo cooperativo. A perspectiva sobre os ombros do personagem, o botão sensível ao contexto e as cut-scenes dinâmicas retornam e ainda são o destaque. Contudo, o grande destaque e ponto positivo do jogo é o extenso e flexível modo cooperativo. O modo story, por exemplo, pode ser jogado sozinho e cooperativamente, tanto offline, quanto online. Após zerá-lo uma vez, o jogador abre tanto o modo Mercenaries, como também a possibilidade de jogar cada capítulo separadamente em dificuldades diferentes. O sistema de pontuação, portanto, faz mais sentido na medida em que você e um amigo poderão retornar sempre que quiserem com enorme facilidade aos capítulos para melhorar seu desempenho.
![]() Outrossim, o modo Mercenaries ganha maior proeminência se comparado a RE4. O número de arenas e personagens é maior, além de estarem presentes modo cooperativo offline e online. A variedade e o desafio certamente viciarão uma boa parcela daqueles que comprar o título. Há também o modo Versus – uma das maiores, desculpem o termo, sacanagens de todos os tempos – no qual, por uma módica quantia de 5 dólares, o jogador pode baixar um arquivo de somente 350KB e, assim, ativar algo que já estava no disco. Em outras palavras, você paga duas vezes.
O modo em si é bastante interessante, pois acrescenta duas novas modalidades de multiplayer online: Slayers e Survivors. Na primeira, os jogadores pontuam ao matar os “Majini”. Na segunda, o objetivo é matar os oponentes humanos. Quatro pessoas podem jogar simultaneamente, de forma individual ou em times 2 x 2. A principal limitação do Versus é sua natureza online. Sem dúvidas, poder jogar somente online restringe o modo a uma determinada fatia dos gamers.
Vale ressaltar a enorme quantidade de desbloqueáveis do jogo, os incentivos a rejogabilidade são muitos: estatuetas, troféus, medalhões azuis, entre outros. RE5 é um dos jogos da série mais pensado em termos de replay.
![]() O quesito sonoro cumpre o seu papel. As músicas não são memoráveis, mas auxiliam na função de complementar a ação desenfreada. Os diálogos seguem a linha B da franquia, o que para muitos pode ser um alívio. O design de som e o uso das capacidades surround são muito bons, embora não impressionem tanto como em outros títulos do mesmo calibre, vide Metal Gear Solid 4.
Resident Evil 5 foi lançado, talvez, com um enorme fardo. Em diversos momentos, tenta ser e até ultrapassar aquilo que o clássico quarto episódio foi. Em outras ocasiões, esboça uma aproximação com os jogos de ação mais cotados da atualidade. Em nenhum momento, porém, alcança onde Resident Evil 4 e Gears of War, por exemplo, chegaram. Ao quinto estamento da franquia de horror de sobrevivência falta originalidade e, sobretudo, vanguarda. Resident Evil sempre foi sinônimo de qualidade única em, ao menos, um aspecto de seus jogos. RE5, por sua vez, é um ótimo jogo de ação e, indubitavelmente, divertirá (ainda mais se jogado por dois jogadores). Todavia, infelizmente, passa longe do Hall dos Grandes Jogos e, pior do que isso, passa longe do que se espera de uma continuação de um Resident Evil.
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Nov 28, 2009 01:28:11 ()







