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BORDERLANDS![]() Postado por Daniel Dantas em Feb 7, 2010 23:26 () |
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De tempos em tempos, determinados jogos saem do nada e viram verdadeiros clássicos. Isso é raro de acontecer, principalmente porque os estúdios preferem investir em séries consagradas, onde a possibilidade de retorno é substancialmente maior. Numa era onde jogos necessitam de orçamentos multi-milionários, investir no incerto é cada vez mais complicado. Pelo lado do jogador, é bacana poder contar sempre com novidades relacionadas às séries que tanto amamos, seja ela Halo, Final Fantasy, Gran Turismo, Mario, etc. Porém, é sempre bom experimentar coisas novas, até porque essas consagradas séries um dia foram também novidade.
Recentemente tive o prazer de jogar Borderlands, um jogo da Gearbox em parceria com a 2K Games. Estava afim de experimentar algo novo, e em Borderlands eu encontrei o que queria. O jogo é uma audaciosa mistura de gêneros, misturando RPG com FPS (tá, eu sei que já vimos isso antes).
![]() Borderlands se passa no mundo de Pandora. Na mitologia grega, Pandora foi a primeira mulher, e carrega qualidades individuais de vários deuses, como a graça, beleza, inteligência, paciência, etc. Seu nome significa “a que possui tudo”, “a que possui todos os dons”, “a que tudo dá” (pensou besteira, né bobão?). Pandora casou-se com Epimeteu (pára de pensar bobagem, garoto!), que foi “presenteado” pelos deuses com uma caixa que continha todos os males. Epimeteu avisou Pandora para ela não abrir a caixa, mas sabe como são as mulheres, né. Pandora abriu a caixa, e por mais que a tenha fechado depressa, todos os males escaparam, restando dentro da caixa apenas um bem: a esperança. (luv u Wikipedia!)
Nada mais apropriado! Em Borderlands, Pandora é um planeta decadente, de ardente tristeza, com imensos desertos, enormes pilhas de lixo espalhadas, nenhum sinal de progresso, com bandidos e outros perigosos seres espalhados por todos os cantos. O que outrora era um mundo próspero, bonito e gracioso, se tornou numa terra árida e esquecida, onde o mal chicoteia sua superfície. Mas pandora tinha algo especial. A mais famosa das lendas daquele planeta diz que por lá existe um tesouro chamado “The Vault” (o cofre, a caixa-forte), que supostamente contem algo de valor incalculável, que daria fama e fortuna à quem o encontrar. Por conta disso, inúmeros aventureiros exploraram cada canto de Pandora em busca de tal tesouro, mas ele nunca foi encontrado.
A história não é exatamente um dos pontos fortes de Borderlands, sendo até muito simplória, sem grandes eventos em seu decorrer. Seu papel no jogo é encontrar tal tesouro e, para isso, você atuará como caçador de recompensas, guiado por uma visão (uma espécie de anjo) que o auxilia em sua jornada. Sendo assim, o jogador logo percebe que a estrutura do jogo é simplória: vá à determinado lugar, aceite uma quest (missão), cumpra-a e volte para receber sua recompensa. As recompensas são dinheiro, armamentos e, claro, como praticamente todo RPG, experiência que se reflete no level (nível) do personagem.
Falando em “level”, em Borderlands por vezes é preciso esquecer que ele também é um FPS e trata-lo como RPG clássico. Não adianta querer enfrentar inimigos com um level muito mais alto que o seu, independente do equipamento de guerra que você possua, caso contrário, você se dará muito mal. Além disso, um equipamento mais forte requer determinado nível (level) para ser usado. Logo, recomenda-se fazer as side-quests (missões paralelas) para ganhar experiência, e só então partir para as missões mais complicadas.
Dessa forma, o nível de dificuldade do jogo é variável. Se o jogador realiza todas as side-quests antes das quests principais, o jogo lhe parecerá fácil. Por outro lado, partir direto para as missões principais sem executar as missões paralelas é praticamente um suicídio. Portanto, por mais que na teoria se possa terminar o jogo em poucas horas, na pratica significa que você ficará andando por Pandora por no mínimo umas 30 horas, o que é uma duração ótima para um jogo. Durável, mas sem ser demasiadamente grande e cansativo.
Falando em durabilidade, Borderlands ainda possui um cativante modo multiplayer, que permite embates entre os jogadores, ou jogatina cooperativa, gerando também as recompensas do modo singleplayer (jogador único) que se refletem nos personagens. Então, por se tratar de um RPG (e também para oferecer variedade para o modo multiplayer), Borderlands lhe oferece a escolha entre quatro personagens no inicio do jogo. Mordecai é um “hunter”, especialista em combate de longa distância usando como base suas snipers. Lilith é da classe “siren”, seres que possuem poder incrível, dando a ela a possibilidade de se mover em uma dimensão paralela, que à permite aplicar poderosos golpes e se movimentar em incríveis velocidades. Roland é um “soldier”, que possui o balanço entre todas as classes do jogo, permitindo o uso de praticamente todos os recursos do game. Já Brick é da classe “berseker”, extremamente musculoso e cheio de força bruta, capaz de aplicar danos mortais com seus punhos, e de suportar melhor os danos que recebe.
![]() Borderlands possui um inovador sistema que permite cada arma ser única no jogo. Visualmente o jogador pode até encontrar armas parecidas, mas sempre há variações entre elas, seja na mira, zoom, cadencia de tiros, capacidade de dano, precisão, recoil (tranco da arma quando se atira), etc. É praticamente impossível encontrar uma arma igual à outra. Sendo assim, existem muitas armas ruins e várias armas boas, bastando ao jogador ter sorte para encontra-las. Mas nem por isso o gameplay se torna desbalanceado, o que é um detalhe muito interessante do jogo.
Os cenários são grandes e em boa quantidade, e o jogador pode optar por viajar a pé ou de carro, embora isso não seja possível em todos os cenários. Há ainda a opção do tele-transporte, mas confesso que é muito mais gostoso passear pelos cenários do que pular direto para a ação.
![]() O game utiliza o Unreal Engine 3, motor gráfico utilizado em jogos consagrados como “Gears of War” e “Batman: Arkham Asylum”. A Unreal Engine 3 é o motor gráfico mais usado nesta geração, por oferecer maior praticidade aos desenvolvedores. Porém, apesar de talvez ser o engine de uso mais simplório do mercado, poucos conseguem brilhar com ele, como é o caso dos jogos supracitados. Borderlands faz parte do time de visual fraco. Os cenários, apesar de serem grandes, são extremamente simples. Os personagens carregam poucos polígonos e carecem de detalhes. Percebe-se que a Gearbox não demonstrou o menor interesse em fazer um jogo visualmente apelativo, utilizando recursos para disfarçar a pobreza de detalhes. Praticamente todos os personagens que encontramos utiliza máscaras, e não há qualquer explicação para isso, exceto pela necessidade de esconder a precária animação que o jogo oferece. Também para esconder a pobreza de detalhes dos cenários e personagens, a Gearbox optou por mudar o estilo visual do jogo enquanto o produzia. Nunca foi a intenção deles produzir um jogo de visual realista. É fato que desde o princípio a intenção era atingir um visual cartunesco, mas para esconder seus defeitos, exacerbaram completamente o estilo cartoon, o que foi uma decisão acertada do meu ponto de vista. Não é nenhum desastre, sendo até agradável de se ver. Mas um pouquinho de capricho a mais não faria mal algum.
O áudio não difere. Não há muitas musicas, e as que estão presentes não empolgam muito. Não há muitos diálogos como em outros RPGs, mas os textos são criativos, especialmente os dos Clactraps, que são pequenos e engraçados robôs que o auxiliam ou são auxiliados por você durante o jogo. O jogo utiliza o humor como recurso, e não desaponta. Não é um festival de risadas, mas faz bom uso do humor, seja com os Clactraps ou com outros personagens.
A jogabilidade, por sua vez, é simples e funcional. A mecânica básica de um FPS está toda lá, bem reproduzida e sem firulas. O jogo é simplório em todos os aspectos, seja na história, nos gráficos, no áudio, na jogabilidade, e não brilha em nenhum ponto em especial. Tecnicamente é um jogo fraco. Porém, toda a graça de Borderlands está justamente em sua simplicidade! Borderlands não tenta ser um jogo profundo, não tenta ser um jogo arrasa-quarteirões, uma superprodução, e sequer tenta surpreender o jogador. É justamente sua simplicidade faz dele um jogo cativante, divertido e extremamente viciante!
Talvez nós jogadores tenhamos ficado exigentes demais, esperando sempre visuais de arrepiar os cabelos e histórias cada vez mais complexas, e talvez por isso Borderlands seja um jogo surpreendentemente cativante, porque ele não traz nada disso, mas é sim feito com uma simplicidade encantadora, que prende os jogadores do começo ao fim. Não é atoa que apesar de ser uma série nova e de não dispor de muito apelo publicitário, Borderlands se tornou um grande sucesso, vendendo milhões de unidades mundo afora. Seus aspectos técnicos não surpreendem nem um pouco, mas no fator diversão, que é o que realmente importa num game, Borderlands é um arraso!
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Feb 8, 2010 19:50:57 ()






